JOVEM: QUAL O TEMPO GASTO NA SUA FORMAÇÃO CRISTÃ?

O que é a vida de vocês? Uma neblina que aparece um pouco e logo desaparece! (Tiago 4, 14b)

Falar onde o jovem tem gasto seu tempo nos remete a refletir sobre o caminho que estão percorrendo na peregrinação desta vida. Escola, trabalho pra alguns, cursinhos, tempo livre: ouvir música, usar o computador, jogar conversa fora com os amigos, sair pras baladas...: No seu dia-a-dia, onde e em que o jovem tem gastado seu tempo? E qual a média de tempo investida em sua formação religiosa, sua vida interior, em sua formação Cristã? Sabemos que a dimensão religiosa é parte integrante de cada pessoa humana. È o primeiro estímulo para cultivar a nossa vida interior. Trata-se de uma dimensão inerente a todo ser humano, e se origina do desejo e da sede de cada um, de ser uma pessoa inteira. No entanto, muitas são as dificuldades encontradas hoje pelos jovens para investir seu tempo na dimensão religiosa, em sua espiritualidade: A primeira é que uma das marcas, intensa e permanente da nossa sociedade atual, é o consumismo. A propaganda liga produtos e coisas ao reconhecimento social das pessoas. È o ter em detrimento do ser. Este ambiente materialista é um primeiro obstáculo à vivência da espiritualidade, pois reduz tudo a mercadoria coisifica as pessoas. É ensinado que tempo é dinheiro, e o tempo é gasto em oferta e procura, as leis do mercado. Uma segunda dificuldade vem dos tipos de espiritualidade que são oferecidos na lógica da sociedade de consumo. Há expressões de espiritualidades desligadas da realidade, que não une adequadamente a fé com a vida, o que na verdade levam os jovens à alienação ou uma espiritualidade intimista, desvinculada do cotidiano da vida e da realidade não “fixam os dois pés no chão”. Uma terceira dificuldade talvez seja a de perseverança, e o imediatismo, os jovens, às vezes, não tem muita paciência para fazer um Caminho, um itinerário e acabam não dando continuidade ao que começaram na vida espiritual, acham que é perca de tempo! Outro fator é que os meios de comunicação roubam seu tempo: Ficam horas assistindo TV ou jogando no computador e pouco ou nada de tempo para sua reflexão interior, o encontro com Deus, sua interioridade. E por último precisamos nos perguntar: frente a tudo o que foi exposto o que sustenta Sua/nossa vida interior, nosso vida cristã? O que de fato priorizamos em nossa vida? Onde está sendo construída nossa casa? Sobre a areia? Ou a rocha? Como estão esses alicerces?
É indispensável também que as famílias e a comunidade saibam da necessidade de ajudar os jovens a cultivar sua espiritualidade e investir em momentos de encontro pessoal com Deus, levando em conta que os jovens precisam acreditar na vida, que apesar de tudo, devem apostar que um outro mundo é possível. Vale a pena viver e lutar e testemunhar a esperança em Deus revelada por Jesus Cristo, que é a fonte e origem de nossa felicidade. Feliz quem na lei do Senhor Deus vai Progredindo a cada dia. Os jovens gostam de festa, de diversão e assim, experimentam a Deus Pai como “senhor que preparou um banquete e chamou todo mundo pra festa”. Religião para eles tem a ver com alegria e esperança. Assim, Espiritualidade Juvenil deve ser a da vida, da festa e da alegria, do compromisso, da fidelidade e obediência aos valores do evangelho. Os jovens querem se aproximar mais de Deus, viver mais ligados ao Seu amor. Gostam de formar grupos e viver em comunidade. Erram, dão cabeçadas e precisam do ombro carinhoso de Deus pra chorar suas mágoas e retomar o caminho certo. Valorizar a Bíblia, que contém a palavra que conforta e orienta. Ansiar por uma intimidade maior com o Senhor, uma comunhão cada vez maior com a sua palavra. Experimentar Jesus Cristo como companheiro de caminhada que anuncia a Palavra da verdade, oferece perdão divino e partilha a própria vida em comunhão. Religião para eles tem que ser encontro pessoal com Cristo, que assumiu a condição humana e ressuscitado age em sua igreja, pela palavra e pelos sacramentos. Os jovens devem olhar para o mundo e reparar que há muita coisa errada. Há muito que fazer. Estudar com responsabilidade para compreender melhor as coisas e poder ajudar. Pensar em sua profissão como uma forma de contribuir e participar. Valorizar a luta por um mundo melhor, que passa pela organização e pela doação de si. Experimentar a presença de Deus Espírito Santo como aquele que renova a face da terra e da história. Religião tem que ser uma expressão de compromisso com um mundo mais fraterno e solidário. Espiritualidade Juvenil é a espiritualidade da fraternidade e do compromisso solidário.

Irmã Maria Vieira Feitoza, ICP.

Condições Indispensáveis para uma Convivência fraterna, Saudável, Educativa e Santificadora.



  • Testemunhando a corresponsabilidade de todas na CASA de formação/comunidade formativa:
  • Capela: É um espaço fundamental, o mais nobre, de singela beleza, aconchegante e de freqüência diária para a meditação da palavra, oração pessoal e comunitária, contemplação e celebração da eucaristia. Deve se evitar muitos objetos para que o ambiente não se torne carregado e pesado que dificulte a experiência orante das irmãs e formandas.
  • O Refeitório/ cozinha: É o lugar do nutrimento, da partilha, da escuta e da alegre convivência á mesa. Há que se nutrir pelo gosto de se alimentar com uma alimentação bem preparada e saudável. Procure sempre manter a cozinha, fogão, pia e todos os demais objetos limpos e organizados. Pois uma refeição bem preparada e um ambiente limpo e organizado ajuda na harmonia e serenidade da vida fraterna.
  • Quarto: Individual ou compartilhado: É parte da privacidade onde todos devem respeitar esse espaço de intimidade da outra. É um ambiente físico adequado ao repouso, descanso e lugar privilegiado para se recompor as forças. Não se trata de lugar para estudo e nem para lanchar ou outras atividades.
  • Sala comunitária: É o espaço para a dimensão comunitária. Favorecem a comunhão, partilhas, estudos, reuniões bem preparadas e eficazes. Encontros de grupos, atendimento personalizado se necessário, onde se aprende com os demais sem rivalidades. A harmonia do ambiente leva a cuidar de si (sem exageros e egolatria) e a zelar do que é dos outros, fomentando a prática do amor concreto traduzido em atitudes.
  • Biblioteca; Lugar onde se investe no estudo, reflexão, na leitura e na auto formação como um exercício de comprometimento pessoal com a própria formação. Cada formando, cada religioso é protagonista de sua formação pessoal em todas as dimensões.
  • A casa de formação/ comunidade religiosa; É uma comunidade de trabalhadores/as. Todas somos convocadas a dar o melhor de si no trabalho interno e externo Toda pessoa humana está sujeita a lei do trabalho. A comunidade religiosa ou a casa de formação deve ser simples e sóbria oferecendo a mesa do pão de cada dia, a mesa do lazer/convivência, a mesa do diálogo, a mesa dos estudos e a mesa da Eucaristia. Aprende se na casa de formação/comunidade religiosa um estilo de vida próprio e, vai se lapidando, modelando-se a discípula – missionária chamada à vida religiosa consagrada. È preciso deixar-se ser modelada e ajudada pelas mediações que nos são colocadas na caminhada formativa.
  •  
  • [1]O cotidiano da comunidade religiosa/formativa
  • A comunidade formativa requer o que pode ser denominado cotidianidade, isto é, ela se realiza no dia a dia e se concretiza em espaços e tempos formativos. Horários e tarefas devem se harmonizar a fim de que os formandos e irmãs consigam desempenhar bem suas funções, missão, evitando assim o cansaço desmedido, o estresse, a rotina, a saturação. A cotidianidade é por si mesma mediadora de uma autodisciplina e educativa. O cotidiano é o caminho para a aquisição de bons hábitos: inspirador, restaurador e criativo.


[1] Diretrizes para a formação de presbíteros da igreja no Brasil. Doc. da CNBB Nº 93

Seguidores