O desafio de cultivar o silêncio em meio á cultura do barulho.


 A liturgia do barulho na atualidade

"O Senhor Deus me deu língua de discípulo para que eu saiba trazer ao enfraquecido, uma palavra de conforto. Manhã após manhã ele me desperta o ouvido, para que eu escute, como os discípulos; O Senhor Deus abriu-me o ouvido" (Is 50,4-5).  




Irmã Maria Vieira
 Pois bem, em um mundo dilacerado pelo barulho, discorrer sobre o silêncio pode ser perda de tempo, uma vez que o ser humano Pós-moderno não tem muito interesse em cultivá-lo, porque, para a grande maioria, é no barulho que está o prazer, visto que vivemos numa sociedade evoluída, em que a técnica, apesar de produzir inúmeros efeitos positivos, também provoca efeitos contrários e faz com que cada vez mais o ser humano se torne saturado por vários elementos, tais como a poluição sonora, a audiovisual, a degradação do meio ambiente e o surgimento de novas doenças. Se há pessoas que idolatram o barulho, há outras que ficam desorientadas sem ele, pois não conseguem silenciar-se. O silêncio pode se apresentar como um caminho de cura, apartir de melhor compreensão dos acontecimentos da própria vida. Do ponto de vista espiritual, o silêncio se apresenta como um elemento para captar e entrar em sintonia com Deus ou nos mostrar os desertos, as noites escuras e as desolações. È um caminho pedagógico de encontrar-se a si mesmo e, no meio desse emaranhado complexo que é o nosso ser, perceber o Deus que se revela e que é silêncio. Ás vezes as palavras só atrapalham.
A Bíblia diz em Jó 2:13 “E ficaram sentados com ele na terra sete dias e sete noites; e nenhum deles lhe dizia palavra alguma, pois viam que a dor era muito grande”. 
Em silêncio podemos mostrar respeito a Deus. O Salmo 46:11 nos ensina a grande lição: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus; sou exaltado entre as nações, sou exaltado na terra”. O silêncio é parte da reverência ao nosso Deus que é Pai e criador. O silêncio é caminho de encontro consigo mesmo, com o outro e com Deus, daí a dificuldade que temos de fazê-lo. O silêncio é a medida do amor. Só quem se ama sabe curtir o silêncio.  O silêncio nos tira de nós mesmos para podermos nos reencontrar. Na profunda descoberta de si, descobrimo-nos como criaturas amadas pelo Criador que enviou seu filho único para nos regenerar em toda a profundidade de nosso ser. “Senhor, tu me examinas e me conheces, sabes quando me sento e quando me levanto, Penetras de longe meus pensamentos. Examina-me ó Deus, e conhece meu coração, prova-me e conhece meus sentimentos”. Sl 138,1-2.23. O silêncio nos conduz a escuta amorosa de Deus. Escutar, ouvir supõe atitude discipular, obediente. O discipulado do silêncio conduz ao serviço caritativo que vai ao encontro do outro e o acolhe tal como ele é, e escuta a Deus, que também falará através do outro. O grande exemplo é o de Maria (Lc 1,29-450, que ouviu o anúncio do anjo e pôs se a pensar sobre o que significado da sudação e partiu para visitar Isabel. Ouve, Israel! O SENHOR nosso Deus é o único senhor. (Dt 6, 4-9)

Para refletir:
Que coisas dificultam a minha experiência de silenciar-me? Quais os meus conflitos? Quais luzes podem surgir desta experiência? Como é o cultivo do silêncio na sua experiência orante pessoal e comunitária?Que novidades o silêncio pode trazer á sua vida Cristã como discípulo e missionário?

                                                                                         

1 comentários:

daianeicp disse...

Belo artigo.Parabéns!!

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